Terça-feira, Maio 16, 2006

um gato. gatinho. era preto, com enormes olhos verdes, lembraram-me a infancia. bah, mentira, puro cliche. sempre detestei brincar de bola de gude. alias, nunca soube. nem fiz questao de aprender. mas os olhos do gato eram verdes. e ele era preto. e o bichano se aproximou de mim, querendo comida ou algo assim. gatos são bichos interesseiros, iguais gente... dei-lhe um afago na cabeça. e ele veio se esfregar nas minhas canelas. e ele gostou. e eu achei estranho, gatos são bichos blasés, ele viu que eu nao tinha um petisco, por que? enfim, continuei afagando-lhe a cabeça; e, a cada sinapse que ocorria no meu cérebro, tentava contabilizar a quantidade de ratos do parque municipal que ele havia comido no dia. mas era bom afagar-lhe, aquele era um gato simpático. pensei no quanto ele era vencedor, por ser um gato de rua e estar vivo ali; tinha uma orelha furada, parecia que fora furada com aqueles instrumentos de escritório utilizados para furar papeis. imaginei alguma maldade de alguma criança idiota, ou até mesmo de alguns adolescentes retardados que estudam na região hospitalar. mas o gato estava ali e ele havia sobrevivido ao furo na orelha, à chuva, ele não parecia ter casa, fome, e a outras lamúrias que animais de rua sofrem. e aquele gesto, o carinho na cabeça, foi a coisa mais simpática que fiz nos ultimos tres dias.